segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Grupo 3 – Fronteiras e Condomínios – Novas periferias metropolitanas

      Como forma de dar uma nova cara as cidades pós- industriais que sofriam com a degradação, poluição e falta de conforto aos seus moradores, as ideias de Hebenezer Howard vinham como a criação de espaços agradáveis, que transmitam o bem-estar o desenvolvimento econômico junto com os traçados paisagísticos.
      
       Foi apresentado pelo grupo as principais cidade jardins construídas nos Estados Unidos e na Inglaterra totalmente fragmentada pela revolução industrial. Com o passar dos anos esse espaços começaram a adquirir conceitos sustentáveis, supostamente impostos pela Conferência de Estocolmo, em 1972. Com o crescimento desenfreado da população, e a vida nada saldável que se desenvolvia nas cidades, os condomínios fechados eram alternativa para as pessoas com um maior poder aquisitivo pudessem desfrutar de um ar mais limpos e de mais segurança. Muros cada vez mais altos, com as frestas das grandes cada vez mais apertadas tonam esses locais cidades dentro de cidades. Os serviços, o lazer e as atividades de seus moradores ali mesmo eram encontradas. O deslocamento sempre por carro o levava até o trabalho. Se necessário algo mais – delivery. Como uma pessoa dessa cidade pode tomar decisões para nós? O convívio com a sociedade é importantíssimo para nosso crescimento pessoal e humano. Uma criança que ali crescer deve carregar para o resto de sua vida o medo. Medo das pessoas, medo de conhecer, medo descobrir.
     
      Cada vez mais afastados da cidade, essas cidade jardins tem extrapolado seus conceitos iniciais e vem sendo instalados grandes ressortes luxuosos. Como foram mostrados em algumas cartilhas e propagandas, ali se vivia como se estivesse de férias. “Encontre o paraíso dentro de seu lar”. São locais que gastam cada vez mais, localizam-se mais longe das cidades e oferecem todos os serviços necessários para se viver. 

Portaria Condomínio de Luxo em Brumadinho.


     Seguindo o modelo das cidades jardins, as cidades sustentáveis ou EcoVillages vem sendo criadas em vários países. São condôminos que em busca de qualidade de vida preservam principalmente a natureza. Tratamento de esgoto, captação de energia renovável, reutilização da água, compostagem, hortas comunitárias e etc... Seus moradores tem que manter um compromisso com a reciclagem. Os descolamentos são por transporte público, carro “elétrico” ou bicicletas. Essas vilas servem de modelo para o comportamento das futuras cidades e da sociedade. Seus pequenos moradores já nascem com um conceito sustentável formado. As ecovillages são espaços aberto e que disponibilizam locais para palestras e exposições para visitantes que queiram vivenciar um novo estilo de vida.



EcoVillage - Londres

Postagem de Carolina Spínula

Grupo 1 – Mobilidade Urbana

     O tema mobilidade urbana tem se tornado cada vez mais uma dor de cabeça para os moradores da cidade de Belo Horizonte. Os enormes congestionamentos, a falha do transporte público, as novas vias que vem sendo criadas, mas que no final das contas só contribui no aumento de carro nas ruas e etc...

      O grupo 1 fez a comparação de Belo Horizonte com a cidade de Nova Yorque, para mim nada justo, pois Nova Iorque esta entre as cidade com o melhor transporte público do mundo seguidas de perto por Londres que também serviu de exemplo pelo grupo. Foram destacados os sistemas que vem sendo criados pela prefeitura de Belo Horizonte como: as ciclovias, ampliação das linhas de trem, as vias exclusivas de ônibus e os corredores de Transporte Rápido por Ônibus.

      Em setembro de 2011 saiu no Estado de Minas um desafio proposto pela UFMG que foi realizado No Dia Mundial Sem Carro. Quatro pessoas tiverem que passar pelo mesmo trajeto - 11 quilômetros da Praça da Estação, no Centro de Belo Horizonte, ao campus da Pampulha utilizando a Av. Antônio Carlos. Delfim Afonso de 63 anos realizou o trajeto em 13 minutos de ônibus, sendo o primeiro a chegar. Marcus Vinícius pegou carona em um fusca, e chegou em 28 minutos. Maria Aparecida de 35 anos pedalou por 35 minutos. José Álvaro de 35 anos andou 1h e 17 minutos para chegar. Concluindo o desafio, utilizar o transporte público ainda é a melhor alternativa de deslocamento dentro da Cidade. Já os que não despejaram poluentes no ar reclamaram da falta de locais apropriados para se deslocar. O lixo, o desrespeito dos motoristas, os buracos e a falta de ciclovia na Antônio Calor, recém reformada.

      Na Capa do Jornal Estado de Minas do dia 19/11/11, vem com a frase: “ Calma que vai melhorar.... ( a foto da Senhora do Carma completamente congestionada ) em 2020.  Será que iremos aguentar até lá? Essa data se refere ao Plano de Mobilidade Urbana iniciada no ano passado pela a BHTrans, ou seja, somente em 2020 sentiremos o resultado de fluidez do tráfego. Por que por enquanto o que vemos é um  monte de obras e investimento no transporte públicos e alargamento nas ruas e avenidas da cidade visando a copa do mundo, logo após, o caos e as dores de cabeça terão que ter muita paciência e segura as pontas até 2020.  

Crítica ao desrespeito dos motoristas belorizontinos. Quadrinho de Bidu Schnauzer.

     Como forma de combater as grandes filas de carro e a poluição das cidade, países da Europa como: Londres, Barcelona e Paris contam com o cadastro de pedestre que queiram se deslocar de um local ao outro utilizando a bicicleta. Essas bicicletas são estacionadas muitas vezes próximas às estações de metrô, e contam com vários postos espalhados pela cidade. O usuário pode simplesmente retirar sua bicicleta e deixa-la em outro posto, com a segurança e a certeza que terá um local para estacionar. 

Bicicletário de Londres. 
http://blogs.diariodepernambuco.com.br/mobilidadeurbana/index.php/tag/mobilidade/ 

Referência:


Postagem de Carolina Spínula






Grupo 9: Saneamento básico + favela e produção de novos arranjos territoriais.

                a) Como o grupo desenvolveu o tema? (tópicos da discussão)

Os novos arranjos territoriais são na verdade ocupações irregulares, no caso de Belo Horizonte, dispostas em locais de difícil acesso, geralmente em morros com alta declividade situados na periferia das cidades. Na região de Lagos situada na Nigéria, não existe uma tipologia fixa para as ocupações, estas são introduzidas ou desenvolvidas em qualquer ponto da cidade.
Baseado nas críticas analisadas, a implantação das ocupações nas cidades elevam os processos de instalação e aglomeração urbana, gerando uma megalópole com rápido processo de urbanização, como é o caso de Lagos. O crescimento é acelerado e em grande parte sem condições de sanitárias.
Através de propostas de reestruturação urbana é que essas regiões passam a serem servidas de saneamento básico e infra-estrutura. Porém, ao contrário do que se espera com melhorias na qualidade de vida dos moradores dessas regiões, os projetos de reurbanização na maior parte das vezes desestabiliza ainda mais as condições da população. Dessa forma, surge a necessidade de procurar outro local onde consigam pelo menos a mesma condições de antes, na periferia das periferias.
 Seja por “opção” ainda que forçada dos próprios habitantes das favelas ou por expulsão das chamadas áreas de risco, para conjuntos habitacionais também distantes dos centros urbanos, essa população vai sendo carregada para os limites da cidade. A partir daí se inicia o crescimento da malha urbana até a unificação dos espaços entre as cidades, caracterizando a conurbação.
No caso da cidade de Lagos, esse processo ocorre aleatoriamente de acordo com as necessidades e o fluxo do comércio, já que as ocupações estão sempre sujeitas a alterações e reconfigurações. Além do mais, a capacidade de infra-estrutura não atende a toda a população, menos ainda, dispõe de habitações regulares que atende a demanda necessária.

   b) Como foram feitas as correlações entre os contextos: brasileiro,  Belo Horizontino e mundial? 

A partir de um estudo sobre Programas e urbanização de favelas conhecido como Vila Viva em Belo Horizonte foram analisadas questões sobre o saneamento básico e ocupações irregulares.
As propostas oferecidas pelo programa são obras de saneamento básico, remoção de famílias, construção de unidades habitacionais, erradicação de áreas de risco, reestruturação do sistema viário, urbanização de becos, geração de empregos, moradias verticais e programa social para construção da cidadania. Em 2007 na primeira etapa do Vila Viva foram removidas e reassentadas 220 famílias, para construção de barragens de contenção para controlar a vazão das águas de chuva e evitar enchentes e urbanização de becos. Foi construído também o Complexo Esportivo do Aglomerado da Serra Mário Guimarães. E no final de 2008 foi inaugurada a obra principal do projeto, a avenida que une a Av. Cardoso, no bairro Santa Efigênia, região leste da capital, à rua Caraça, na Serra. São 1.635 metros de extensão e duas pistas de rolamento, com 16 metros de largura.
No total o programa prevê a construção de cerca de 1500 unidades habitacionais, em 10 conjuntos. As famílias removidas são levadas para moradias verticais, apartamentos de 2 quartos aproximadamente 46m², no valor de 32mil reais,  segundo dados da URBEL ( Companhia Urbanizadora de Belo Horizonte) em torno de 75% optam por ficar no Aglomerado, o restante preferiu receber a indenização, que tem valor médio de 20 a 22 mil reais.
De acordo com o plano de urbanização os projetos visavam melhorar a qualidade de vida da população ali residente, contudo, a implantação do projeto trouxe conseqüências irreparáveis para os moradores. Uma vez que, a remoção das famílias foi de forma autoritária e com total falta de respeito aos direitos do cidadão. As casas a serem demolidas eram marcadas com tinta spray vermelha e a demolição foi gradativa, apenas algumas paredes para impedir a volta dos moradores, transformando o espaço em pontos de drogas e práticas de crimes. Táticas usadas para forçar psicologicamente aqueles que ainda permaneciam no local, causando medo e tristeza ao se depararem com entulhos, proliferando lixos e insetos, afetando a paisagem local para que os demais não questionassem o valor da indenização e nem colocassem obstáculos na futura remoção.
Sobretudo, a indenização oferecida às vítimas do aglomerado não era um bom negócio, pois o valor recebido, na maior parte das vezes, só dava pra comprar moradia na região metropolitana ou em outra favela, não gerando melhoria alguma na qualidade de vida dessas pessoas.
Dessa maneira, os moradores se excluíam cada vez mais por não conseguirem uma moradia próxima à região a qual estavam acostumados. Os altos preços dos lotes mediante a uma indenização irrisória, apresentavam como única opção de moradia, regiões metropolitanas ou outras favelas, muitas vezes em condições mais precarizadas, além disso, existia ainda a quebra de vínculos sociais e afetivos.
Outro ponto a ser questionado em relação à mudança para as moradias verticais é a população que sobrevivia do comércio existente na favela, já que em prédios tal atividade não é possível de se concretizar, ficando o comerciante sem sua renda e sem a indenização do mesmo.
Em relação à cidade de Lagos situada na Nigéria, as condições de vida é de certa forma, ainda mais precária. Na cidade não existe uma tipologia fixa para as ocupações, estas são introduzidas ou desenvolvidas em qualquer ponto da cidade, estando sujeitas a mudanças de acordo com o fluxo do comércio ou necessidade de camuflagem.
A aglomeração urbana evidencia uma megalópole com rápido processo de urbanização, sendo 2.600 comunidades distribuídas em 20 áreas de governo local e 37 áreas em desenvolvimento, caracterizando, portanto, uma população equivalente a 37 países africanos.  
O aumento populacional em Lagos é proveniente em quase sua totalidade de migrantes do interior da cidade. De acordo com as pesquisas apresentadas pelo grupo, cerca de 60% da população vive do comércio de cerca de 10 mil toneladas de lixo gerada por dia.
Apesar de ter uma economia ativa, sendo grande exportadora de petróleo, possuir uma bolsa de valores com aplicação de diversas instituições financeiras e ter uma arrecadação de 65% dos valores agregados (VAT) da Nigéria, a cidade não dispõe de políticas urbanas e sociais, sendo toda a economia destinada às camadas de alto poder aquisitivo.   
Levando em consideração que as políticas e a economia estão sempre voltadas para classes elitizadas, tanto Lagos e Belo Horizonte, quanto as populações marginais de um modo geral se vêem em condições precárias e obrigados a se tornarem auto-suficientes, adaptando as necessidades às extremas condições impostas pela ausência de responsabilidade social. Situação descrita com propriedade por Koolhass: “... Lagos não representa uma situação de atraso, e sim um prenúncio do futuro."

c) Escolha duas situações, dentre as analisadas pelo grupo, como as que você tem maior interesse teórico e/ou prático e justifique, com um texto de dois parágrafos para cada uma delas e duas imagens para cada uma delas. 

A partir das discussões do Programa Vila Viva, o questionamento entre a linha de intervenção e a linha do extermínio das favelas em função do sistema fica mais compreensivo, vendo que, ao longo da construção das obras, o lugar “favela” fica cada vez mais distante ou simplesmente escondido, atrás dos prédios ou sob equipamentos construídos para usufruto da comunidade, mas que têm acesso restrito, estando disponíveis apenas como equipamentos embelezadores, estando na favela, mas não sendo da favela e de seus moradores.
As ações propostas pela PBH ancoradas no PGE visavam melhorias nas condições de vida dos moradores afetados pelo programa Vila Viva, este tenta justificar o projeto sob a aparência de uma nova concepção no tratamento de vilas e favelas. Cujo enfoque principal predomina a linha de integração destas ao espaço urbano, fazendo com que estas sejam reconhecidas como parte da cidade. Contudo, não é o que acontece no momento em que são executadas as obras. Este empreendimento apresenta interesse na possibilidade de valorização do espaço, explicitado pela elevação do preço dos terrenos nas imediações do projeto, dificultando para as vítimas do programa, a compra de uma nova moradia na mesma região. 

Conjuntos Habitacionais do Aglomerado da Serra



Vila Viva – Aglomerado da Serra
Apesar de ser uma megalópole com economia ativa e possuir setores e regiões super desenvolvidas,  Lagos  apresenta uma extraordinária disparidade social quando comparados os espaços pertencentes ao mesmo território. Devido à falta de responsabilidade e política socioeconômica, 60% da população vive a deriva e em condições de vida extremas. Além de terem que se adaptar ao sistema através do mercado informal, ainda se vêm obrigados a improvisar métodos para suprir as necessidades da infra-estrutura da cidade.
Já que a atuação do poder público  é voltada apenas para a camada econômica ativa, as regiões mais pobres com cerca 2600 comunidades não possuem suporte urbano com saneamento básico, saúde, projetos sociais, habitação fixa e digna e mercado de trabalho formal para atender a demanda. A desigualdade indiscriminada separa a cidade em um lado marginal, pobre e misturado ao lixo comercializado e em outro desenvolvido, funcional e detentor do poder econômico.  


Ligação da Ilha de Lagos a Victoria Island.

Victoria Island, Lagos.


Postagem de Leidiane Luz



Grupo 11: Reconversão Urbana

a) Como o grupo desenvolveu o tema? (tópicos da discussão)

O contexto do tema Reconversão Urbana baseia-se em uma análise crítica considerando a aplicação política, econômica e social.  O princípio fundamental deste processo é de adaptação de áreas da cidade consideradas sem utilização em espaços funcionais que atendam a sociedade de forma comum para todo e qualquer tipo de classe. Levando em consideração as características originais de cada local e transformando – o em um ambiente de consumo da cidade. Porém, as modificações espaciais observadas nos objetos de estudo apresentados demonstram uma mudança exacerbada, onde, na grande maioria se torna um local de gentrificação devido ao valor estético atribuído. 
Para análise do assunto foi necessário entender como e porque as reconversões estudas sempre se transformam em um espaço elitizado e segregado. Tal fator ocorre de maneira geral nestas intervenções devido ao processo de globalização que interfere diretamente na urbanização das cidades. A economia, a produção e a tecnologia ditam as decisões a serem tomadas. Decisões estas, elaboradas pelo mercado tecnológico, uma vez que, o poder público não atua inteiramente na reurbanização das cidades, deixando a questão sob a responsabilidade de empresas terciárias, detentoras da tecnologia. Evidentemente sem compromisso com a sociedade, não é dever e menos ainda, interesse do mercado empresarial pensar nos problemas urbanos e sociais, fator que agrava e mascara as diferenças classicistas e propõem um espaço nada igualitário.
Embora o princípio da reconversão urbana seja integrar a economia, a política e a sociedade, o que sucede é a instalação de uma cidade/mercado consumidora e fragmentada ao contrário de uma produção social igualitária.


b) Como foram feitas as correlações entre os contextos: brasileiro, Belo Horizontino e mundial? 

Os objetos de estudo focaram nas zonas portuárias, onde se localizam os setores financeiros e comerciais por apresentarem disposição para desenvolvimento do capital tecnológico e com maior capacidade para acúmulo do capital. Contudo, os espaços destinados a tais empreendimentos são escassos e saturados. Ainda sim, vistos pela política urbana como locais necessitados de consumo e uso.
Tanto no caso dos portos Londrinos, Argentino e Brasileiro a inter-relação porto cidade se dá de forma congruente, ou seja, o crescimento das zonas portuárias seguem linearmente o desenvolvimento urbano.
As características de implantação associam o espaço funcional às cidades, apresentando acesso direto às linhas litorâneas e ligação da cidade ao porto. O crescimento do comércio marítimo leva o porto a expandir-se além dos limites das cidades, com implantação de equipamentos de comércio e serviço por toda a via litorânea. Não obstante, o desenvolvimento industrial aumenta a demanda do espaço para viabilizar o acesso da linha férrea aos portos e conseqüentemente eleva o número de comércios na região portuária. Tornando – se, portanto, em um espaço saturado e sem relações do porto com a cidade.
Contudo, cabe ressaltar que, algumas áreas de intervenção nas zonas portuárias londrinas, aplicaram uma reconversão voltada para habitações e equipamentos de interesse social, porém, em quase toda a sua totalidade essa renovação não produz um espaço social igualitário, uma vez que, as instalações privadas de projetos de alto padrão, residências e/ou empreendimentos multinacionais, elevam a disparidade entre as classes sociais. Assim como, os portos da América do Sul e o Tate Gallery em Londres, que priorizaram as reconversões para áreas turísticas, porém, um turismo voltado para as classes elitizadas.
            Tanto no caso do Tate Gallery que abriga um museu com acervo de ilustres artistas, quanto o Porto Maravilha no Rio de Janeiro que abrigará museus, pinacoteca, porto olímpico e uma extensa área de lazer, em substituição ao elevado perimetral, associada aos novos equipamentos turísticos, a gentrificação do espaço ocorre em detrimento e fragmentação da sociedade.
Perdendo assim, o verdadeiro sentido da reconversão urbana que é atribuir valor de uso a um Patrimônio, ao contrário do é sistematicamente aplicado em todas as intervenções. Estas, elaboradas como produto de consumo e espetáculo para atender as classes de alto poder econômico, mas que deveria ser pautada em políticas urbanas para de forma a integrar a sociedade como um todo.

c) Escolha duas situações, dentre as analisadas pelo grupo, como as que você tem maior interesse teórico e/ou prático e justifique, com um texto de dois parágrafos para cada uma delas e duas imagens para cada uma delas. 

A reconversão da Praça liberdade em Belo Horizonte sugere o mesmo princípio das renovações estudas. Também voltada para o turismo, sob a denominação de um circuito cultural o espaço se torna destituído de urbanidade. Tendo em vista a proximidade do local com regiões elitizadas, o intuito principal dessa intervenção é desassociar a população de menor poder aquisitivo que, evidentemente não se apropriará dos espaços ali destinados, seja pela distância ou pela característica da população freqüentadora do local. Sendo o real interesse político em disponibilizar cultura e lazer para cidade em geral, tais questões seriam consideradas relevantes e certamente haveria uma distribuição desses equipamentos pela cidade, não havendo monopolização e segregação socioeconômica.
A transformação das antigas secretarias do governo em museus nada mais é do marketing político. Já que, o local apresentava uso por todas as classes sociais indistintamente e, além disso, claramente conservado, pois, periodicamente passa por revitalizações. A implantação de museus na praça acontece concomitantemente às grandes obras de recuperação de áreas da cidade visando os eventos futuros. Sob o pretexto da criação de um espaço de qualidade e segurança para o turismo e integração da sociedade a um ambiente de lazer, diversos pontos de Belo Horizonte passam por reconversões para ser apresentada como uma cidade organizacional, funcional e limpa.


Carnaviolla na Praça da Liberdade 




Circuito Cultural Praça da Liberdade


Assim como as demais reconversões, a intervenção proposta para a zona portuária do Rio de Janeiro demonstra total ausência de controle urbanístico e sem preocupação em integrar a sociedade dentro do contexto da revitalização. Os projetos apresentados para a região são de grande valor econômico, porém, serão destinados a atender apenas uma camada elitizada, diminuindo cada vez mais a inter-relação porto-cidade. Tanto quanto Belo Horizonte, o processo de renovação desse espaço tem como principal objetivo a apresentação de uma bela cidade – sede em vista dos eventos de 2014 e 2016.
É fato que tais eventos trarão uma considerável rentabilidade para os cofres públicos, contudo, o valor gasto nas obras superam a casa dos 3 (três) milhões, segundo pesquisas apresentadas pelo grupo. Ainda que, o maior investimento seja de iniciativa privada, os valores correspondentes são extraordinariamente significativos. Conclui-se, portanto, que a disparidade social relativa a essas reconversões são discernidas e implantadas propositalmente para desassociar a população de menor poder aquisitivo e instituir espaços urbanos destinados a uma camada privilegiada economicamente.




Futuro eixo comercial, como oportunidade
de negócios e alto investimento


Av. Canal Francisco Eugênio, onde se situa o empreendimento Alfa Business

Postagem de Leidiane Luz

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Processo para intervenção em pontes e viadutos - Londres

   Em meio a prédios, casa e ruas podemos encontrar em quase todo o traçado da cidade de Londres viadutos e pontes que em grande parte desses equipamentos servem de apóia as linhas de trem e metrô que ligam a capital a todo o Reino Unido. Como proposta de ocupação veio surgindo comércios nessas áreas, principalmente próximas as estações de metrô ou lugares que atraem os olhares dos moradores e também dos turistas. Lojas de roupa, livrarias, restaurantes, cafés, bares, casas noturnas, teatro, espaço para eventos, galerias de arte, escritórios, casa de bebidas, depósitos, postos turístico e feiras, uma gama de serviços que vem ocupando cada vez mais esses espaços. Os vários arcos da linha férrea pertencem às empresas de transporte ao qual devesse a construção dessas linhas. Em Londres encontramos, por exemplo: Nacional Rail, Fist Capital Connect, Fist Great Western Trains, Arriva Trains Wales, Chiltern Railways, Network Rail entre outras. 

Paisagem urbana da cidade de Londres - centro.
   Quando surge a proposta de se fazer um comércio sob esses viadutos deve-se compara a área pertencente ás linhas de trem, e depois obter a permissão do governo para modificar o modo como é usado esses espaços. Se você pretende fazer um restaurante e o local em que comprou já é um, nesse caso não é necessário adquirir essa permissão.   

Processo para adquirir o direito de modificar espaços em residências ou comércio:
1. Identificar o local, realizar estudos de viabilidade e levantamentos.
2. Contratação de arquitetos para realizar desenhos detalhados do espaço. 
3. Apresentar um pedido de planejamento e pagar uma taxa. Neste caso é necessário cumprir dois itens para obter o pedido de planejamento: (I) Mostrar como a intervenção trará desenvolvimento para a região e que os materiais utilizados serão apropriados. (II) Muitas vezes é difícil conseguir permissão para modificar a forma como a terra é usada, devido às políticas locais serem muito rígidas. Durante o processo você terá que escolher em qual classe  sua intervenção se encontra, isso ajuda a assegurar o tipo de comércio encontrado em determinadas regiões industriais, residenciais e comerciais.  
4. Aguardar de 6 a 8 semanas para que seu projeto seja aprovado. 
5. Se após esse período não saiu permissão, sua proposta pode sendo alterada até a aprovação final. 


Postagem de Carolina Spínula 





Indicações de leitura:

Track Urban. Build UP London Bridge Project. Disponível em< http://issuu.com/lkharding/docs/london_bridge_project_final_2010_06_28>.Acesso em: 07 out. 2011.

Dwyer, Emma. Underneath the Arches: The Afterlife of a Railway Viaduct. Disponível em< http://leicester.academia.edu/EmmaDwyer/Papers/130565/Underneath_the_Arches_The_Afterlife_of_a_Railway_Viaduct>.Acesso em: 28 ago. 2011.


quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Moradores de rua da Capital Mineira

      A capital mineira foi projetada pelo engenheiro Aarão Reis entre 1894 e 1897, inspirada no modelo europeu e americano, de Paris e Washington, as mais modernas cidades da época. Inaugurada em 12 de dezembro de 1897, o projeto urbanístico concebido através de formas geométricas e sob um pensamento positivista onde, o centralismo, o intervencionismo governamental, a necessidade da ordem e do controle generalizado, fez desta a primeira cidade brasileira moderna planejada.

Planta de Belo Horizonte 1895
Mapa do centro de Paris com distribuição dos equipamenstos urbanos 1871.
http://oddens.geog.uu.nl/browse_result.php?category=3&limit_result=500


         Para seguir as tradições urbanísticas das cidades modelo, o autor do projeto pensou em uma divisão em três principais zonas: área central urbana, área suburbana e área rural, para que funcionasse como um sistema no qual a cidade não se expandiria indefinidamente. Porém, nas décadas seguintes, o crescimento populacional fez com que a cidade passasse por novos planos de expansão. Reconhecendo desde então uma crise habitacional como um pertinente problema social.
         Desde a década de 60 os espaços vazios da praticamente se esgotaram, e a população passou a se concentrar nos municípios vizinhos, gerando a conurbação entre as regiões metropolitanas. Na década de 90, iniciava-se a especulação imobiliária, a valorização dos espaços urbanos e a intensificação da verticalização da cidade. Como resposta ao crescimento desordenado e deficiência de políticas habitacionais, pessoas socialmente desfavorecidas e de menor poder aquisitivo recorrem às áreas menos valorizadas, por inexistência de infra-estrutura básica e regularização fundiária. A falta de planejamento adequado no uso e ocupação do solo urbano, faz com que pessoas com baixas condições de arcar com custos urbanísticos busquem ocupar ilegalmente áreas públicas e particulares, como por exemplo: os morros, viadutos e as ruas.
Viaduto serve como moradia para muitas pessoas em Belo horizonte.


       A Prefeitura da cidade possui alguns programas que atuam desenvolvendo ações na superação das violações de direitos, com o objetivo de resgatar o respeito dos cidadãos de rua na sociedade. Os cinco abrigos públicos possuem aproximadamente 800 vagas, onde oferecem cama, comida e locais para higienização. Porém, apesar de poucas vagas nenhuma atinge sua capacidade. O que passa a ser uma icógnita para os diregentes dos abrigos. mas a explicação vem de um marador de rua:

      “Não somos delinquentes. Ninguém pode viver nessa situação, isso não é vida para nós. Queria uma casa, mas minha casa é aqui na praça”, diz. Sobre os abrigos, ele afirma: “Já fiquei em alguns abrigos, mas a gente não se acostuma a viver com horários para tudo. Além disso, bebo, e lá não pode”. Júnior Fábio de Souza, 17 anos.
                 
                          Mesmo em dias frios alguns moradores preferem as ruas por já terem sido furtados em albergues
 
      
       Estima-se que sob viadutos e nas ruas da capital vivam aproximadamente 1,2 mil pessoas em condições de miséria. Um problema social escancarado e abandonado. Pois, os programas de assistência que visam atender e abrigar essa população não atendem a quantidade necessária para retirar todos dessa precariedade.
      Ainda que, essa chamada política de inclusão abrangesse a todos os necessitados, precisaria buscar formas de reinserção do sujeito à sociedade. Dar suporte desde as crianças, com o direito à educação, esporte e lazer, até os adultos com formação de profissionais para inserção no mercado de trabalho. Sem acesso aos cuidados básicos de saúde, educação e emprego, a população de rua não enxerga possibilidades e perspectivas futuras.
    Diante da incapacidade dos órgãos governamentais, são criadas ONG’s, projetos de faculdades e de pastorais para desenvolver e dar suporte e assistência aos programas de reabilitação destas pessoas. No entanto, o efeito é mínimo, pois, a inclusão é parte de uma cadeia de desenvolvimento, que vai desde o acompanhamento com discussões e esclarecimentos sobre a problemática de viver nas ruas até as necessidades básicas sociais.
Moradores de rua são seres humanos que vivem fora do contexto social e a
 pobreza é um dos fatores que mais contribui para este desequilíbrio.




Existem vários projetos para recuperação e uso do espaço dos viadutos. Em 2003 a PBH promoveu uma limpeza urbana com a retirada dos moradores dos baixios destes locais, oferecendo uma quantia específica e temporária, relativa ao Programa Bolsa Moradia para que estas pessoas pudessem pagar aluguéis de imóveis na região metropolitana. Contudo, o valor não era suficiente para alugar um imóvel na região, fazendo destas, pessoas cada vez mais marginalizadas e excluídas.

Em 2004 a Puc Minas com o apoio financeiro do Ministério Público realizou uma pesquisa que abrangia os viadutos ao longo da Via Expressa Leste-Oeste, que se caracterizavam como vazios urbanos. Os quais também eram habitados por famílias de baixa renda e população marginalizada, que utilizavam o espaço, ainda que periférico, para subsistência e inserção na economia e na sociedade.

Dentre as propostas para o plano de reabilitação de áreas urbanas, haviam modelos de habitações alocadas sob os viadutos e utilização destes espaços para o desenvolvimento de atividades de serviço e comércio. Porém, segundo o arquiteto urbanista Carlos Teixeira, que participou da pesquisa como consultor, o projeto era conveniente e traria grandes lucros para o urbanismo da capital, mas não houve interesse e iniciativa por parte dos órgãos políticos em executar o projeto.



Assim, a apropriação e o uso destes espaços se dão de forma precária e desorganizada, por ser a única forma encontrada por aqueles que não possuem teto. 

Como resposta e reivindicação, alguns grupos de grafiteiros utilizaram a arte do desenho para intervir no viaduto Santa Tereza, lá também estão acontecendo eventos com espetáculos teatrais e shows, apresentando à população novas formas de pensar o espaço.



Intervenção Viaduto Santa Tereza

Grupos de grafiteiros utilizam o desenho para integrar espaços como os viadutos na paisagem urbana. 


Apropriação do Espaço Público

A arte usada como novas formas de pensar o espaço público excluído pela sociedade. 

Postagem de Leidiane Luz



Referências:

 G1. Ago de 2010. Moradores de rua evitam abrigos em Belo Horizonte. Disponível em<http://g1.globo.com/brasil/noticia/2010/06/moradores-de-rua-evitam-abrigos-em-belo-horizonte.html>. Acesso em: 24 ago. 2011.

Prefeitura de Belo Horizonte. Programas e projetos. Ações possibilitam o resgate social de pessoas e famílias. Disponível em<http://portalpbh.pbh.gov.br/pbh/ecp/comunidade.do?evento=portlet&pIdPlc=ecpTaxonomiaMenuPortal&app=programaseprojetos&tax=12053&lang=pt_BR&pg=6080&taxp=0&>. Acesso em: 23 ago. 2011.

Hoje em Dia. Flórence Couto. Jun de 2010. Vida digna para moradores de rua de Belo Horizonte. Disponível em<http://www.hojeemdia.com.br/cmlink/hoje-em-dia/minas/vida-digna-para-moradores-de-rua-de-belo-horizonte-1.137727>. Acesso em: 24 ago. 2011.

Mega Minas. Notícias. Jan de 2011. BH é exemplo para o país em atendimento à população de rua. Disponível em<http://megaminas.globo.com/2011/01/26/bh-e-exemplo-para-o-pais-em-atendimento-a-populacao-de-rua>. Acesso em: 20 ago. 2011.

R7 Notícias. Out de 2010. BH tem 83% dos moradores de rua em abrigos da prefeitura. Disponível em<http://noticias.r7.com/cidades/noticias/prefeitura-de-belo-horizonte-gastara-r-5-6-mi-com-moradores-de-rua-20101001.html>. Acesso em: 20 ago. 2011.

Saber viver. População de Rua. Disponível em<http://noticias.r7.com/cidades/noticias/prefeitura-de-belo-horizonte-gastara-r-5-6-mi-com-moradores-de-rua-20101001.html>. Acesso em: 23 ago. 2011.


Ministério das cidades - Prefeitrua Municipal de Belo Horizonte/regional noroeste - Puc Minas - Escritório de Integração do Dep. Arquitetura e Urbanismo - Arquitetos sem Fronteiras/Brasil - Pastoral de rua da arquidiocese de Belo Horizonte: Plano de Reabilitação de Áreas Urbanas Centrais _ via expressa leste-oeste - viadutos urbanos e áreas contíguas. 


Indicação de Leitura:

Maria Inês Pedrosa Nahas – Mapeando a exclusão social em Belo Horizonte. Disponível em<http://ead01.virtual.pucminas.br/idhs/01_idhs/pdfs/nahas.pdf>. Acesso em: 26 ago. 2011.

PSTU Juventude. Postagem Admin. 13 de julho de 2011. Belo Horizonte – Tirem as mãos do Duelo de MC's. Disponível em<http://juventudepstubh.blogspot.com/2011_07_01_archive.html>. Acesso em: 25 ago. 2011.

Belo Horizonte. Postagem Maçaroca Urbana. Ago de 2010 – Pauta _ Embaixo do Viaduto. Disponível em<http://macarocaurbana.blogspot.com/2010/08/debaixo-do-viaduto.html>. Acesso em: 25 ago. 2011.

Ação comunitária. Notícias. Direitos Humanos. Dez de 2010 – Moradores de rua aumento 30% em BH. Disponível em<http://www.acaocomunitaria.org/1.0/index.php/noticias/42-direitos-humanos/314-moradores-de-rua-aumento-de-30-em-bh>. Acesso em: 26 ago. 2011.


 
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